Em alguns momentos eu tive certeza de que a Carol ia perder o fôlego, ou a voz. Ela falava com tanta necessidade de se fazer entender, com tanta agilidade, fervor. Parecia que, se a gente não compreendesse a ideia, nada valeria a pena. E isso tem uma razão: a lógica da cooperação é tão diferente de tudo o que a gente aprende na vida cotidiana que, em uns momentos, parece mesmo surreal e, por que não dizer, muito difícil de dar certo. E foi justamente isso o que a Carol veio nos contar ontem, no VI Simpósio de música independente, na UEL: a sua experiência - que deu e dá muito certo!
A Carol é do Massa Coletiva, um coletivo que promove bandas independentes, shows... Um coletivo que é meio como o Alona e os muitos coletivos que vemos pela cidade. Isso até certo ponto, porque chega um momento - momento crucial esse - em que o Massa ganha e a maioria dos coletivos que eu conheço (de longe, vá lá), perde: O massa tem diálogo, o massa é um coletivo que não é "coletivado" só com quem é massa, o Massa faz parte de um circuito, o Fora do eixo, que agrega vários outros coletivos que não se fecham em si mesmos, que levam as coisas além, e que viraram um eixo só em todo o Brasil.
A coisa, como tudo na vida, começa de leve. A troca é primeiro troca, coisa de brother, pra depois virar moeda social. O coletivo é primeiro um coletivo, pra depois se sistematizar e fazer parte de um circuito nacional. E, claro, tudo depende, desde o começo, de um tipo de consciência com a qual, ouso dizer, ninguém aqui tá acostumado. É. A gente é mestre em reclamar do sistema, do capitalismo, dos defeitos da democracia brasileira, mas, enquanto a gente não vê os números da economia solidária, do sistema de trocas, da colaboração, a gente não dá crédito. E isso é até compreensível quando se pensa que, aqui nesse caso, tudo está diretamente ligado à cultura, cultura independente, que no Brasil rende tanto quanto... Você sabe.
Mas, o que eu senti, é que o negócio tá em vias de mudar. Finalmente. A Carol bateu em uma tecla muitíssimo importante, o tal do chororô. Eu olho em volta e acho que é o primeiro passo, chega de chororô! Primeiro é acreditar no poder de uma coletividade determinada, e depois fazer-se acreditar. Abolir o seu chororô, pra acabar com o desânimo de todo mundo. Depois é o esquema das perceirias "eu não tenho cem mil reais, mas eu tenho parceiros", foi a Carol quem disse. E é essa a lição maior, é mais que "bonito e solidário", é um esquema real. Onde gente é gente e vale tanto quanto qualquer outro por aí. Você não vale menos que a empresa que patrocina, e nem mais. Tudo é meio que interdependente. É interligaçã e diálogo aberto, pra que se reconheça as próprias falhas, e pra que o coletivo, todo mundo, cresça e caminhe à diante.
O negócio é que, ainda que destoe do que nos é comum, os coletivos dependem de esquematização, contabilização e toda essa burocracia aporrinhante. Por quê? Pra que, quem tá fora, consiga compreender o que é essa economia solidária, esse sistema de trocas, a cooperação. E o retorno que ela pode dar. É pra tornar didático mesmo e, ainda assim, a Cabrera tem razão, a probabilidade de que a gente entenda - e consiga explicar com perfeição - o que é que é que isso é, afinal, é bem pequena. Infelizmente. Mas já sabemos que, como tudo na vida, isso vem aos poucos, e, como disse a Carol " A gente não começa com a pretensão de chegar lá, mas nunca perde o foco". Não é só "bonito e solidário", mas também é...
O fato é que, quando eu fechava os olhos pra pensar nessa economia solidária, eu via um monte de senhorinhas vendendo guardanapos e bisquit. Agora eu já penso que, se a gente se prestasse a - mesmo que na imaginação - dar o mínimo de conta do quanto isso vai além, o mundo já era outro. A economia solidária, como tudo no mundo, não nasce pronta e acabada, e nem deve. E, dentro dos coletivos culturais, tem ainda outra característica básica: A valorização da relação pessoal. Coisa que, parece, a gente andou perdendo no meio do caminho. O sistema de trocas começa no "Brother", "show e breja", mas se parar por aí não se cresce nem a metade do que a economia e cooperação podem proporcionar. A questão é justamente essa: "O que é que você pode fazer? Onde é que você quer chegar?"
Olha que, daqui, eu to vendo um caminho pra essa colaboratida seguir quando o festival acabar. Sem chororô, minha gente, o que vocês conseguem ver? Eu digo apenas que "É nóis".
A Carol é do Massa Coletiva, um coletivo que promove bandas independentes, shows... Um coletivo que é meio como o Alona e os muitos coletivos que vemos pela cidade. Isso até certo ponto, porque chega um momento - momento crucial esse - em que o Massa ganha e a maioria dos coletivos que eu conheço (de longe, vá lá), perde: O massa tem diálogo, o massa é um coletivo que não é "coletivado" só com quem é massa, o Massa faz parte de um circuito, o Fora do eixo, que agrega vários outros coletivos que não se fecham em si mesmos, que levam as coisas além, e que viraram um eixo só em todo o Brasil.
A coisa, como tudo na vida, começa de leve. A troca é primeiro troca, coisa de brother, pra depois virar moeda social. O coletivo é primeiro um coletivo, pra depois se sistematizar e fazer parte de um circuito nacional. E, claro, tudo depende, desde o começo, de um tipo de consciência com a qual, ouso dizer, ninguém aqui tá acostumado. É. A gente é mestre em reclamar do sistema, do capitalismo, dos defeitos da democracia brasileira, mas, enquanto a gente não vê os números da economia solidária, do sistema de trocas, da colaboração, a gente não dá crédito. E isso é até compreensível quando se pensa que, aqui nesse caso, tudo está diretamente ligado à cultura, cultura independente, que no Brasil rende tanto quanto... Você sabe.
Mas, o que eu senti, é que o negócio tá em vias de mudar. Finalmente. A Carol bateu em uma tecla muitíssimo importante, o tal do chororô. Eu olho em volta e acho que é o primeiro passo, chega de chororô! Primeiro é acreditar no poder de uma coletividade determinada, e depois fazer-se acreditar. Abolir o seu chororô, pra acabar com o desânimo de todo mundo. Depois é o esquema das perceirias "eu não tenho cem mil reais, mas eu tenho parceiros", foi a Carol quem disse. E é essa a lição maior, é mais que "bonito e solidário", é um esquema real. Onde gente é gente e vale tanto quanto qualquer outro por aí. Você não vale menos que a empresa que patrocina, e nem mais. Tudo é meio que interdependente. É interligaçã e diálogo aberto, pra que se reconheça as próprias falhas, e pra que o coletivo, todo mundo, cresça e caminhe à diante.
O negócio é que, ainda que destoe do que nos é comum, os coletivos dependem de esquematização, contabilização e toda essa burocracia aporrinhante. Por quê? Pra que, quem tá fora, consiga compreender o que é essa economia solidária, esse sistema de trocas, a cooperação. E o retorno que ela pode dar. É pra tornar didático mesmo e, ainda assim, a Cabrera tem razão, a probabilidade de que a gente entenda - e consiga explicar com perfeição - o que é que é que isso é, afinal, é bem pequena. Infelizmente. Mas já sabemos que, como tudo na vida, isso vem aos poucos, e, como disse a Carol " A gente não começa com a pretensão de chegar lá, mas nunca perde o foco". Não é só "bonito e solidário", mas também é...
O fato é que, quando eu fechava os olhos pra pensar nessa economia solidária, eu via um monte de senhorinhas vendendo guardanapos e bisquit. Agora eu já penso que, se a gente se prestasse a - mesmo que na imaginação - dar o mínimo de conta do quanto isso vai além, o mundo já era outro. A economia solidária, como tudo no mundo, não nasce pronta e acabada, e nem deve. E, dentro dos coletivos culturais, tem ainda outra característica básica: A valorização da relação pessoal. Coisa que, parece, a gente andou perdendo no meio do caminho. O sistema de trocas começa no "Brother", "show e breja", mas se parar por aí não se cresce nem a metade do que a economia e cooperação podem proporcionar. A questão é justamente essa: "O que é que você pode fazer? Onde é que você quer chegar?"
Olha que, daqui, eu to vendo um caminho pra essa colaboratida seguir quando o festival acabar. Sem chororô, minha gente, o que vocês conseguem ver? Eu digo apenas que "É nóis".

